A vida da Igreja em países do Oriente Médio

Antonia Leonora van der Meer

 icon_desafiosAssisto ao noticiário na TV, abro o jornal, acesso a internet, ando pelas ruas do meu bairro, visito outras cidades, ouço o último sermão. Uma voz me chama. Tanta coisa a ser feita! Não tenho tempo, não sei por onde começar, nem sei exatamente o que fazer.

Essa região não é apenas o berço do cristianismo e onde há muitas igrejas antigas de grande valor histórico e artístico, mas também um lugar onde, depois de muitos séculos, a fé permanece, revive e cresce. Tive o privilégio de estar na Turquia pela segunda vez, na Consulta Global da Comissão de Missões da Aliança Evangélica Mundial. Foi uma reunião multiétnica, em que pudemos ouvir relatos de onde e como a Igreja tem crescido nos continentes, em contextos de luta e sofrimento.

Houve mensagens e palestras globais, com participação e resposta a partir das mesas com oito pessoas de vários países que discutiam os assuntos e colocavam suas respostas e preocupações imediatamente no debate do site preparado para essa finalidade.

No louvor, pudemos ouvir músicos e conjuntos da igreja turca, entre outros. Há informações mais detalhadas sobre a consulta no site da Aliança Cristã Evangélica Brasileira, na Carta de Esmirna à Igreja Global – Declaração da Consulta Global da Comissão de Missão da WEA.

Tive também o privilégio de visitar alguns irmãos e igrejas na Turquia. Fiquei impressionada com as igrejas dirigidas por líderes turcos, algumas ainda com bastante influência estrangeira, outras mais contextualizadas, mas com um número significativo de participantes do país. Mais impressionante foi o domingo em que eu estava em Istambul (linda cidade!) e encontrei num calçadão movimentado um conjunto turco cristão apresentando boa música e palavra, com um grupo de pessoas ao redor, apreciando e ouvindo. Não significa o fim de restrições e casos de perseguição, mas sim a existência de espaço para crescer e de vitalidade. Há também cultos na língua farsi para os iranianos residentes no país, um grupo animado. E há organizações buscando socorrer vários grupos de refugiados, sírios e outros. Há estrangeiros, inclusive brasileiros, integrados e fazendo um bom trabalho. O progresso é visível nas cidades turcas. Os meios de transporte são pontuais e os lugares públicos, limpos e organizados.

Depois, fui a Beirute, no Líbano. Fui bem recebida no aeroporto quando souberam que eu era brasileira. Em toda a cidade percebi sinais de simpatia pelos brasileiros. Muitos carros andavam com a bandeira brasileira, torcendo pelo nosso time na Copa do Mundo. Há bairros específicos para cristãos, mais nominais ou bem comprometidos. Várias igrejas trabalham com liberdade e podem convidar estrangeiros para apoiar seu ministério. Infelizmente muitos cristãos saíram do país. Há poucas décadas, eles foram a maioria e agora tornaram-se uma minoria. Porém, continua havendo uma igreja viva. Uma universidade grande, que é atração turística, é a Universidade Americana, onde a igreja ainda tem um espaço privilegiado. Duas coisas chamaram minha atenção: uma foi o grande número de prédios em construção por toda parte em Beirute, o que significa que o medo da guerra já não prevalece; a outra foi numa visita à famosa gruta de Jeita. No caminho, há serras cobertas de muitas e lindas árvores, um verde exuberante. Faz lembrar as referências bíblicas aos bosques do Líbano, que graças a Deus continuam ali. O Líbano está cheio de refugiados, palestinos pobres, residentes já antigos, e agora muitos sírios, entre os quais há os mais ricos.

Foi inspirador ver os países e os povos, e especialmente ouvir e conviver com irmãos na fé. Sinto-me mais desafiada a orar e a buscar meios de apoiar seus ministérios.

Fonte: Ultimato



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