Adaptação missionária: missão quase impossível

Rosa Del Pino

Contaremos uma história baseada em fatos reais, mas com nomes fictícios, para se ter uma ideia de como é ser missionário aqui na Europa e da importância do cuidado missionário:

José e Maria são casados e tem dois filhos: Caco, de 15 e Tuca, de 9 anos. Esta família, depois de passar por todas as orientações e levantar o sustento necessário, chegam aqui na Europa no mês de agosto para ter tempo de conseguir as vagas para seus filhos na escola. Este casal teve a benção de contar com um casal amigo que lhes recebeu em seu apartamento. Foram à escola, mas como era agosto, todas as escolas e repartições públicas estavam fechadas, todos saem de férias nesse mês e não havia ninguém para atendê-los. Estavam preocupados porque sabiam que aqui as inscrições para as vagas nas escolas é em maio, mas o visto deles só saiu no final de julho. Quando chegaram, descobriram que não podiam alugar um apartamento porque aqui se exige um contrato de trabalho e avalista ou no mínimo ter 6 meses de aluguel depositado no banco como garantia, além de ter que pagar 3 meses adiantados. À noite, antes de dormir, eles caem no choro porque não possuem o dinheiro suficiente e não pensam em pedir a seus amigos para serem seus avalistas, afinal seus amigos não são crentes. Ao chegar o mês de setembro foram fazer as matrículas e descobriram que os filhos estudariam em escolas separadas porque o sistema educativo separa os alunos de 6 a 12 anos em Primária e de 12 a 16 anos em Secundária, que funcionam em diferentes estabelecimentos e endereços. José e Maria ficaram preocupados, dado que seus filhos não dominavam a língua e Tuca era muito introvertida, pensaram então que ela poderia ter dificuldades por não conhecer ninguém e não saber a língua.

Começaram as aulas em meados de setembro e eles ainda continuavam morando com seus amigos, isto dificultava a vida e adaptação deles como família, bem como a dos seus amigos, começando já a surgir os primeiros mal-entendidos em casa. Tudo isto somado, aumentava a tensão e os níveis de estresse começaram subir como um foguete.

Eles estudaram o idioma antes, mas ao chegar à Europa não conseguiam entender nada e ninguém conseguia entendê-los também. Tinham que ter interprete para tudo!  Toda esta situação lhes estressava muitíssimo. Sentiam-se sobrecarregados e inúteis porque se sentiam incapazes de fazer frente a esta demanda.

Tuca chegava chorando da escola quase todos os dias porque seus colegas riam dela sempre que abria a boca na aula. Viam que Caco se fechava cada vez mais, justo ele que sempre foi tão falante. José e Maria se sentiam culpados por tudo que estava acontecendo com sua família e o único que podiam fazer era orar.

A base da missão Europa foi pensada para ser um lugar de misericórdia e pastoreio para esses irmãos como José, Maria, Caco e Tuca, que dada à sua situação de estar submetidos à tensão e estresse constantes estão no grupo de risco de padecer transtornos de ansiedade.

Aqui na Europa sofremos diariamente a rejeição do Evangelho por parte dos europeus, que não creem no Deus Salvador e se orgulham deste fato. Queremos que os nossos irmãos sintam que não estão sozinhos, que podem abrir seus corações conosco, que podemos orar e animar-nos juntos. Por isto, procuramos visitá-los e recebê-los em nossa casa para aliviar um pouco as cargas e recobrarem suas forças. Através de encontros periódicos, fomentamos a amizade, o relacionamento, a troca de experiências, a reflexão e o estudo bíblico. Nesses encontros nos preocupamos em ter pessoas adequadas para  acompanhar, ouvir e aconselhar os filhos dos missionários, bem como estudar a Bíblia com eles.

Vimos, além disso, a necessidade de trabalhar com os filhos dos missionários em sua integração e tratar as possíveis dificuldades escolares. Por isso, concluímos um mestrado em Psicologia Educativa para ter as ferramentas necessárias e, assim, auxiliá-los em seu desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental para que cresçam sadios e de forma integral. A nossa principal tarefa aqui é de consolar, animar e ajudar os irmãos para que a adaptação dos missionários e seus ministérios sejam mais possível.

Por tanto, podemos encerrar citando as palavras do apóstolo Paulo, irmão e modelo missionário: “Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.” 2 Co 1.5.

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