A solidão no campo na vida de James Gilmour

Chun K. Chung
série Meditações missionárias

DIA 22 – Leia: Filipenses 4.10-20

1. De que alegria Paulo se refere no verso 10?
2. Por que Paulo menciona que sabe viver em qualquer circunstância e que pode tudo naquele que o fortalece?
3. Por que a igreja de Filipos é elogiada por Paulo?
4. Qual a motivação deste elogio de acordo com o verso 17?
5. Você consegue notar o relacionamento íntimo entre o missionário e a igreja parceira nesta passagem? Isso seria verdade hoje nas igrejas?
6. Com o que a oferta dos Filipenses é comparada?
7. Qual outra lição no texto você tira para sua vida?


Quando o missionário parte para locais distantes, solitários e perigosos a parceria com uma igreja local é fundamental. Parte do seu sustento financeiro, espiritual e pessoal são garantidas por esta parceria. Foi o caso de Paulo e os Filipenses. É neste contexto de parceria missionária que Paulo escreve uma das frases mais conhecidas da Bíblia: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Muitas vezes a igreja não seguiu este modelo de parcerias e muitos seguiram para o campo sem apoio. Foi o caso de James Gilmour que partiu sozinho e passou muita dificuldade num campo missionário muito distante.
Após uma infância abastada proveniente de uma família tradicional escocesa, em 1870 partiu sozinho para a Mongólia. Na ocasião escreveu: “Eu vou como um missionário não seguindo os ditados do senso comum, mas para obedecer o mandamento de Cristo, ide a todo mundo e pregai”.
Gilmour_jamesQuem eram os Mongóis? Eram descendentes das hordas que um dia sob Gengis Khan formaram um dos maiores impérios do mundo. A maioria vivia como nômades espalhados pelas longas planícies. A típica vista eram de tendas, com bandeiras de oração penduradas nos acampamentos e seus típicos cavaleiros atentos vigiando o rebanho. Era um lugar longínquo que na época ficava a 54 dias de viagem de Pequim, capital da China onde havia um certo número de ocidentais. Estava longe de qualquer rastro de civilização. Sentia-se no lugar mais longínquo e afastado da terra. Passou frio, fome, sede, perigos de assaltantes e muita solidão já que estas condições extremas não permitiam sua esposa e filhos acompanhá-lo.
James queria aprender a língua e aproximou-se de um homem rico cuja tenda sempre tinha lenha e 3 servos à sua disposição. As conversas entre eles eram cuidadosamente anotadas com um lápis num caderno e em meio a dificuldades diversas aprendeu apenas o básico sem nenhuma eloquência ou estilo. Em sua convivência com os mongóis, percebeu algo do ponto de vista de um forasteiro: “os grandes pecadores da Mongólia são os lamas e os grandes centros de maldade os seus templos… Sua influência e maldades ferem, não a eles mesmos, mas o povo. O povo os olha como santos fazendo o que eles fazem e assim a corrupção se espalha”. O fanatismo religioso era um obstáculo para aceitarem o Cristianismo.
O primeiro convertido foi Boyinto, um jovem nômade que ouviu a mensagem salvadora numa tenda esfumaçada de um lama enquanto falava com James. A sua preocupação estava na continuidade. Como este recém convertido iria prosseguir sua nova vida em condições tão desfavoráveis sendo um nômade? Para sua surpresa este jovem caminhou 40 km a pé em meio a dores excruciantes para que no fim de sua jornada fosse batizado e recebido como membro igreja de Kalgan pastoreada por um missionário americano.
Aos 47 anos de idade e após 21 anos de trabalho no campo, James Gilmour veio a falecer acometido de febre tifóide. No caso dele a sua solidão não foi tanto por causa da negligência da igreja e sim pela distância e falta de meios de comunicação mais eficientes. Em nossos dias, numa época em que a comunicação é quase instantânea e as viagens muito seguras e rápidas, ainda muitos missionários estão solitários. Neste caso pela negligência das igrejas.

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