“Deus realizou um grande milagre”

Fábio Ribas
série Dias Índios

– Mamãe, será que foi Deus quem mandou os besouros para proteger papai? – perguntou maravilhada minha pequena Ana de apenas seis anos de idade.
– Claro, minha filha! Você não tem orado para que Deus proteja seu pai lá na aldeia? – disse Lu, minha esposa.
– …agora sei que Deus existe… – confessa Aninha.
– Como assim, filha? Você não acreditava em Deus?
– Sim, mas eu pensava que Ele poderia ser só uma história que gente grande contava… Mas agora eu sei que Ele existe mesmo, porque Ele realizou um grande milagre! Ele respondeu minha oração, mãe! – professou minha filhinha. Este diálogo entre minha esposa e minha filha se deu assim que pude contar a elas o que ocorrera comigo na aldeia alguns dias antes.

Foto do arquivo do autor
Foto do arquivo do autor

Distraído, olhando o céu azul, seguia para o banho por uma picada aberta que leva da casa do cacique à beira do rio. De repente, apareceram dois besouros enormes vindo bem em cima de mim. Imediatamente parei de andar e comecei a afugentá-los com as mãos, o que me obrigou a olhar para aquilo que estava no chão a apenas dois passos de mim: uma enorme jararaca atravessada no meio do caminho!
Mais dois passos e certamente teria pisado nela. O corpo marrom da cobra era enorme e afinava até a cabeça triangular que se balançava de um lado para o outro. Quis sair correndo para avisar alguém, entretanto ocorreu-me que nunca havia visto uma cobra assim tão perto (missionário urbano, só havia visto cobra “ao vivo” em zoológico). Eu teria pisado nela e sabe-se lá como seria prestado o socorro já que não há soro antiofídico na minha aldeia e a cidade mais próxima fica a quase seis horas de onde estou.
“Dois passos…” fiquei pensando, enquanto olhava a cobra ali à minha frente.
Esta cena toda do meu encontro com a jararaca aconteceu uns quarenta minutos depois da ligação em que a Lu tinha me contado que, espontaneamente, Aninha vinha naqueles dias orando a Deus para que Ele me protegesse de qualquer perigo na aldeia. Assim, restou desse meu encontro algo muito mais assombroso que o risco que passei: há muitos quilômetros dali de onde eu me encontrava, Aninha estava prestes a se deparar com o Deus que já estava respondendo suas orações, o Deus vivo que realiza grandes milagres!

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