Ebola: o inimigo invisível

Brasileiros contam como o surto da doença tem afetado suas rotinas

Por Nany de Castro

A luta contra o tempo para socorrer os doentes e criar vacinas, e o fechamento das fronteiras foram algumas das medidas utilizadas para conter o avanço do Ebola. A epidemia que vitimou 8.810 pessoas e teve 22.092 casos registrados, segundo a OMS, deixou o mundo todo em alerta em tudo o que acontecia na região de países infectados como Serra Leoa, Libéria e Guiné.

ebola
crédito: C. Black/ WHO

O Morávios entrou em contato com brasileiros que trabalham no continente africano para entender como os países que eles estão residindo têm enfrentado a ameaça do Ebola.

A jovem C.C, que mora em Guiné Bissau com seu marido, contou que vivem na expectativa de que a doença possa chegar onde estão em qualquer momento: “No fundo todos temos medo. Temos liberdade de ir e vir agora, mas se este vírus chegar aqui, imediatamente as fronteiras serão fechadas, e não poderemos sair”. Apesar do estado de alerta, as medidas tomadas contra a doença não parecem muito eficazes. “A única coisa que vejo são baldes com água e lixivia (água sanitária) para lavarmos as mãos. E também não há muito controle quanto à entrada das pessoas que estão no país vizinho, Guiné-Conacri. Tem uma fiscalização rígida na fronteira, mais existem diversos caminhos pelo mato que chegam até aqui, e lá não existem policiais, explica.

Já A.R., brasileira que mora com seu esposo e mais três filhos no Senegal, sente-se tranquila e acredita que o governo tem tomando atitudes eficazes contra a propagação do Ebola: “estão controlando os aeroportos e fronteiras e controlando algum caso suspeito. As autoridades brasileiras não deram nenhuma orientação pois aqui não temos casos. O governo do Senegal além do controle também tem instruído a população, e isso tem ajudado.”

Residentes na África do Sul, o brasileiro G.R e família contam que o Ebola não tem afetado sua rotina. “É interesse! Nem sequer lembramos do problema. Na verdade, apenas quando vemos alerta na TV ou alguma matéria nos jornais. Talvez por estarmos o dobro da distância da região afetada em relação ao Recife, por exemplo. Não ficamos nem um pouco assustados. Outra questão é que a África do Sul tem um sistema de saúde razoável e creio que são capazes de intervir no caso de algum caso no país”, afirma.

Apesar do temor, C.C tem a Graça de Deus como um porto seguro. “Com toda certeza, é Deus quem tem nos sustentado. Dizemos que o Brasil está mais temeroso que nós. Os familiares e amigos estão preocupados. Mas se Deus nos trouxe aqui, ele cuidará de nós e não podemos deixar o medo falar mais alto.

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