Três grandes prioridades na erradicação da pobreza bíblica (parte 2)

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Série As Escrituras em missões

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pobrezabiblicaAssim, vamos voltar às nossas três questões acima e perguntar o que algumas destas importantes barreiras e pontes podem ser em cada um destes casos.

1. Por que as Escrituras não transformam vidas onde elas estão disponíveis?

Por que, quando as Escrituras estão plenamente acessíveis, a maioria das pessoas não se envolve com elas de maneira significativa?

Barreiras

As barreiras incluem:

  • Ignorância, indiferença e até desprezo pelas Escrituras;
  • Os negócios da vida, admiração pela tecnologia e a saturação com entretenimento;
  • A estranheza das Escrituras em relação à vida do século 21;
  • Opinião sobre o que pode ser conhecido;
  • A centralidade e autonomia do indivíduo.

Ignorância, indiferença e até desprezo pelas Escrituras

Na maioria das vezes,  adultos e jovens ocidentais são ignorantes a respeito de fatos simples das Escrituras. Eles não saberiam responder à pergunta: Quem foi Adão, Abraão, Davi e João Batista. As Escrituras são vagamente familiares para eles, mas não são compreendidas nem apreciadas. Com todas as outras fontes de informação chamando sua atenção, eles permanecem indiferentes às Escrituras. Quando ouvem as alegações das Escrituras, muitos as desprezam. Entre os que creem, um crescente número, principalmente de adultos, não participa de uma igreja. As Escrituras tornam-se mais uma questão individual do que algo compartilhado dentro de uma comunidade de crentes.

Os negócios da vida, admiração pela tecnologia e entretenimento

As pessoas, inclusive os cristãos, vivem ocupados com muitas responsabilidades e atividades. Não existe tempo para gastar com as Escrituras, para meditar nelas e permitir que elas lhes falem ao coração. Pedro e Ângela não veem Lucy e Julie com muita frequência. Nem Pedro nem Ângela se sentem confortáveis com o budismo de Lucy ou a espiritualidade pouco definida de Julie, mas não sabem como falar da Palavra de Deus com elas. Na verdade, eles não saberiam o que falar, uma vez que gastam tão pouco tempo com a Palavra. Ninguém os ensinou a se alimentar ou a gastar algum tempo nas Escrituras com outras pessoas. Lucy e Julie são interessadas em expressões religiosas alternativas, por isso não considerariam gastar tempo lendo as Escrituras, a não ser que alguém as ajudasse a ver uma razão para isso.

As várias formas da mídia, presentes na sociedade ocidental dominam a vida de todos. Para os cristãos, a mídia pode facilmente ter mais impacto em suas vidas do que as Escrituras, levando muitos dos seus valores pessoais e sociais a serem moldados pela opinião da sociedade. Os heróis de hoje são as celebridades do cinema, da indústria da música e dos esportes. Algumas dessas pessoas são até muito hostis à fé cristã e duvidam da confiabilidade das Escrituras.

A estranheza das Escrituras em relação à vida do Século 21

As pessoas, lugares e costumes encontrados nas Escrituras são estranhos para a vida do Século 21. É um desafio para os cristãos conectarem-se com as Escrituras e encontrarem sentido e relevância do texto em suas vidas. Geralmente, é mais fácil ignorar as Escrituras. Para Lucy e Julie, as Escrituras são simplesmente esquisitas.

Opiniões sobre o que pode ser conhecido

A cultura ocidental de Pedro e Ângela passa por uma mudança histórica sobre o que uma pessoa pode dizer que sabe. O conhecimento é cada vez menos objetivo e cada vez mais subjetivo.  O que experimentamos e o que nossa razão diz em relação ao mundo exterior não são mais confiáveis. Em vez disso, o conhecimento é considerado mera opinião e ideias de interesse próprio, geralmente transmitidas para nós pela geração anterior, que nos treinou para viver na sociedade de sua própria época. A verdade não é mais permanente, e não há sentido em encontrá-la. A verdade bíblica, inclusive a moralidade bíblica, é vista sob esta ótica. Muitos acreditam que as verdades bíblicas, quer sejam sobre o mundo ou sobre a moralidade, são apenas opiniões de uma época anterior, sem declarações universais sobre os seres humanos.

A Centralidade e a Autonomia do Indivíduo

No ocidente, o indivíduo é o centro do seu universo. Ele decide quem Deus é, e o que é verdade. O indivíduo também tende a generalizar o significado e a realidade que ele mesmo criou para todo mundo. Existe cada vez menos confiança numa autoridade externa, como Deus ou a Bíblia.  Os relacionamentos entre seres humanos resumem-se às questões sobre poder e preferência pessoal. O valor mais alto não é mais o amor, mas a tolerância.

Pontes

A Grande Ponte que transpõe tudo e é soberana sobre tudo é o Espírito de Deus. O Espírito é Aquele que muda a condição do coração de cada pessoa. Ele liberta do domínio do pecado para a liberdade de servir a Deus (Romanos 8:1-11). O Espírito não é limitado nem restringido por nenhum ambiente, mas transpõe qualquer barreira. Mesmo assim, o Espírito nos permite participar do estabelecimento de pontes para ajudar outras pessoas. Somos desafiados a considerar como essas barreiras podem ser transpostas.

Ignorância, indiferença e até desprezo pelas Escrituras

É difícil superar o desprezo sem o amor consistente da nossa parte pelo outro e o trabalho do Espírito. Entretanto, existem algumas possíveis pontes para lidar com a ignorância e a indiferença. No caso da ignorância, se a pessoa é aberta para aprender, um bom ponto de partida é a extensa narrativa das Escrituras, desde a criação até o novo céu e a nova terra. O foco seria o amor e a busca de Deus pela humanidade, convidando todos os povos para o Seu reino por meio do que Jesus fez,  da Sua morte e ressurreição. Como Pedro e Ângela poderiam valorizar e, então, aprender a compartilhar a grande História da Bíblia com Lucy e Julie?

Com respeito à indiferença, a possível ponte seria compartilhar como as Escrituras têm influenciado nossas vidas. Podemos compartilhar a grande narrativa ou passagens mais específicas das Escrituras que tiveram um impacto profundo em nós. Isso pode mostrar a importância das Escrituras na vida pessoal.

Negócios da vida, admiração pela tecnologia e entretenimento

Uma importante ponte para tratar destes assuntos seria a prática de lectio divina, tanto individual como em grupo. O processo requer dos participantes uma desaceleração do ritmo de vida. Demorarem mais para escolher a passagem das Escrituras e lê-la. Meditar na palavra, ou frase, ou outros assuntos sobre os quais Deus lhes chamou a atenção durante a leitura. Então, eles podem orar a respeito desta palavra ou frase e finalizar refletindo e decidindo o que eles podem mudar em suas vidas.

Outra ponte envolveria grupos de estudo bíblico e reflexão, estudando passagens, uma vez por semana, com outras pessoas. Ao reunir-se com um grupo, a pessoa assume um compromisso com os membros dele. A regularidade da reunião permite que cada pessoa dê espaço para as Escrituras em sua vida, e, no processo, cada pessoa ouve as opiniões dos demais membros do grupo sobre a passagem estudada.

A estranheza das Escrituras em relação à vida do século 21

Uma possível ponte neste caso poderia ser explicar como determinada passagem bíblica nos influenciou para uma ação que não esperávamos praticar. Seria o caso com histórias da Bíblia. Pedro e Ângela poderiam aprender como mostrar a Lucy e a Julie verdades espirituais implícitas naquelas histórias e que ainda hoje são importantes para nossas vidas.

Como convicções do que podemos conhecer, e centralidade e autonomia do indivíduo:

Em quais pontes você pode pensar poderiam ser construídas para tratar destas duas barreiras?

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