Guerra Santa na vida de Ramon Lull

Chun Chung
série Meditações missionárias

DIA 25 – Leia: Josué 4.14-24

1. Em que sentido Josué era respeitado como Moisés?
2. Por que os sacerdotes e a arca iam na frente?
3. Qual o significado de erigir as 12 pedras?
4. Por que foi importante eles atravessarem o Jordão com os pés secos?
5. O que eles iriam fazer ao entrar na nova terra?
6. Qual a consequência disso para os demais povos?
7. Qual outra lição no texto você tira para sua vida?


Guerra santa é um termo que virou corriqueiro após 11 de setembro de 2001. Mas esta noção não é exclusiva do Islã. A época de Josué é marcada por essa característica, respeitada as devidas diferenças e proporções.
Ramon Lull era um jovem rico e abastado que vivia uma vida sem grandes propósitos servindo na corte real por volta do ano de 1220 no calor da guerra santa conhecida como as Cruzadas. Apesar de ser casado, levava uma vida de dissipação seduzindo outras mulheres. Diz a lenda que ele teve uma visão e nesta Jesus dizia: “Ramon, siga-me”. Mas como alguém tão impuro poderia viver uma vida santa?, pensou ele. Não conseguia dormir naquela noite, mas sentiu que a compaixão e mansidão de Cristo eram muito maiores que seus pecados. Resolveu renunciar tudo e viver uma vida de contemplação num monastério longe do mundo e das tentações, mas Deus tinha outros planos. Sua consagração não deveria ser apenas ritual, mas prática. Numa visão, um peregrino da floresta veio ao seu encontro e exortou Ramon por seu egoísmo e o instou a ir pelo mundo pregar o evangelho.
Para onde ir? Esperar outra visão? Alguma direção clara? Nada veio a ele. Este é um dilema comum para aqueles que querem servir, mas não possuem uma convicção acerca do campo. Em suas orações lembrou-se de sua cidade natal, Majorca, onde por mais de 100 anos havia uma dominação dos Mouros e haviam sido recentemente expulsos. As Cruzadas estavam no seu auge, e foi quando Ramon ouviu falar do que Francisco de Assis havia feito, quando procurou o sultão no acampamento inimigo. Foi então que ele decidiu trabalhar entre os muçulmanos.
O primeiro passo era aprender a língua. Nenhum erudito mulçumano queria ensiná-lo pois seu propósito era evangelizar. Então Ramon adquiriu um escravo e estudou com ele por 9 anos até conseguir falar, ler e escrever árabe. A Europa estava intelectualmente decadente e os filósofos árabes eram na vanguarda do pensamento e pesquisas naquela época. Ramon queria enfrentá-los de igual para igual e após estudar os grande filósofos árabes, desenvolveu uma apologética para convencê-los. Em sua vida escreveu cerca de 290 livros sendo o único teólogo medieval a escrever numa língua que não fosse o Latim. Sua motivação: “Porque tivemos contato com não crentes por longo tempo e ouvimos suas falsas opiniões e erros; para que estes possam dar louvor à Deus e entrar no caminho da salvação eterna, eu, indigno de colocar meu nome neste livro, desejo, confiado no Altíssimo, achar um novo método e razões para que estes erros sejam mostrados conduzindo-os pelo caminho eterno.” Também trabalhou para o estabelecimento de escolas e centros de estudos para alcançar os mulçumanos. Foi muito ridicularizado quando foi procurar as autoridades eclesiásticas para falar dessa necessidade e somente no final da sua vida pode ver algum fruto com o surgimento de cursos de aprendizado do árabe nas universidades.
Viajou pelo mundo árabe buscando maneiras de evangelizar pacificamente promovendo o entendimento mútuo. Em suas caminhadas também pregou aos judeus que foram muito perseguidos na Idade Média por serem considerados “os assassinos de Cristo”. Aos 60 anos viajou para Tunis, um dos grandes centros do mundo árabe de então. Enquanto se preparava foi tomado por um terror súbito lembrando-se de um incidente com 5 mártires antes dele no Marrocos e desistiu de ir. Tomado de um remorso muito grande embarcou no próximo navio. Naquele grande centro encontrou-se para um debate com diversos eruditos mulçumanos e ele apresentou argumentos apologéticos a superioridade da teologia bíblica quando comparando com o Islã. Alguns foram convencidos e decidiram seguir a religião do Livro, como era conhecido o Cristianismo, mas outros tomados de ira fanática quiseram matar Ramon por considerá-lo perigoso. Na prisão foi solto por aqueles que haviam sido convertidos e secretamente fugiu de volta para Europa.
Com 80 anos voltou em 2 ocasiões para o norte da África para encorajar e visitar os novos crentes, tudo secretamente. Depois de meses de trabalho secreto já ansioso para pregar o evangelho foi para o mercado público. Ele postulou com amor falando a verdade toda. A massa em fúria o arrastou para ser apedrejado fora da cidade no dia 30 de junho de 1315. Esta era a verdadeira guerra santa. Lutar e morrer pela fé em território inimigo. No epitáfio de seu túmulo se encontra a oração: “Assim como um homem faminto se atira ao alimento por causa da sua fome, o teu servo sente um grande desejo de morrer para glorificá-lo. Ele se apressa dia e noite para completar sua missão e derramar seu sangue e lágrimas para Ele”.

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