Nós, as missionárias

Rosa del Pino

Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes,  e que nada os abale. Sejam dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” – 1Co. 15.58

Nós quando recebemos o chamado do Senhor junto ao nosso cônjuge  para “sair da nossa terra e da nossa parentela”  respondemos felizes:  SIM e nos sentimos abençoadas por poder realizar a obra que Deus preparou para nós aqui nesta terra. Conversamos com o nosso cônjuge e posteriormente depois de orar juntos conversamos com os nossos filhos (quando eles possuem idade para entender e até participar), contamos às nossas famílias e amigos. Então, lançamos o nosso pão sobre as águas e começamos levantar os recursos para o preparo que necessitamos para servir melhor segundo as características do campo.
Para fazer os cursos preparatórios muitas vezes temos que mudar de cidade, nesse primeiro momento  já temos que sofrer as primeiras despedidas  e  vemos sofrer nosso relacionamento com a família nuclear (papai, mamãe e filhos) e o nosso relacionamento com a família extensiva (avós, irmãos, primos), sofremos um montão de mudanças em nossa vida, na vida do nosso cônjuge e dos nossos filhos. Sofremos várias perdas concomitantes como, por exemplo: perdermos o contato presencial com a família, com os amigos e irmãos da igreja e todos ao mesmo tempo. Além disso, mudamos da casa que temos carinho, do entorno conhecido que nos oferece segurança, das caras conhecidas e do nosso idioma.
Esses vínculos afetivos sofrem mudanças intensas, ao mesmo tempo, como se fosse uma explosão de fogos de artificio. Com toda essa reviravolta passando por nós, podemos sentir nossos vínculos afetivos fragilizados e nos tornarmos muito sensíveis e emotivos. Como podemos ver, tudo isto demanda muito esforço dos missionários e pode incrementar muito o grau de estresse que como missionária experimentamos.
Além dos cursos preparatórios (que a mulher também poderia participar, pois, muitas vezes só há recursos para um), do trabalho normal do dia a dia, dos compromissos com a igreja, etc. necessitamos também visitar outras igrejas para levantar os recursos necessários para nosso sustento no campo missionário. Enquanto isso, quase sempre nós, as esposas, ficamos em casa cuidando da família, visto que os recursos não nos permitem acompanhar o marido nessas visitas.  Todas estas novas atividades podem aumentar o grau de estresse. Durante ao menos um ano nos sentimos como se estivéssemos mudando e despedindo dos familiares, de nossos amigos, da cidade que tínhamos tantas raízes, dos nossos lugares preferidos e de muitas coisas que gostamos. Quando à noite “examinamos nosso coração” todas essas pessoas queridas passam por nossa mente e adormecemos com dor no coração.
Ainda estamos no Brasil, mas já começamos a nos sentir indo para o novo campo. Procuramos informações sobre o país e conhecemos o máximo de detalhes que podemos para melhor afrontar as adversidades que talvez encontremos. Tentamos preparar nossos filhos para as grandes mudanças que virão (perda de amigos, colégio, avós, coisas e lugares que gostam) e os nossos pais para a distância tão grande que nos separará. Ainda bem que temos a Internet e o Skype, que são uma benção, mas ainda assim não os podemos tocar nem sentir o cheirinho dos que amamos, e comer a comidinha gostosa dos nossas mães e avós (todos temos uma ainda que algumas já estão com o Senhor).  Este movimento de estar indo e vindo e, ao mesmo tempo, resolvendo os problemas diários (que muitas vezes são financeiros também), arrumando a papelada, com um cheiro do país que não estamos acostumados (sim, cada país tem o seu cheiro que o nosso cérebro estranha), provando novas comidas e tentando entender um idioma que não temos nem ideia, geram mais estresse e normalmente podem gerar conflitos familiares.
Como podemos ver somente o Senhor pode nos dar forças suficientes!  Porém uma Base Missionária pode ajudar muito! Saber que podemos contar com companheiros no país para onde vamos é muito importante e faz muita diferença. Poder conversar com alguém quando depois de meses de preparação não entendemos uma palavra, nos faz muito bem! Saber que aprender uma nova língua e cultura é um processo cognitivo intenso e que neste primeiro momento  estamos tão assustados e com tantos estímulos externos e internos (preocupações), que o nosso cérebro necessita dar um freada no processo de aprendizagem para conseguir dar conta de nos manter com vida!
Sabemos que é muito intenso este processo de adaptação! Por isto nos sentimos cansadas e com sono, parece uma gravidez!  Neste momento de chegada ter alguém que nos acalme e diga: – leve isso com mais humor, descanse, ache graça das gafes que você comete, sorria mais, tome vitaminas (no início nosso corpo tem dificuldades para assimilar as vitaminas dos alimentos de outro país), passe mais tempo com a família, tenha paciência e, como uma criança, dê um passo de cada vez! Alguma vez sentir raiva do povo que queremos amar e poder contar para alguém que nos entende é muito bom e necessário!  Não se preocupe isso é comum.  Nos mostra que não podemos amar por nós mesmos e que o Senhor que ama este povo por meio de nós.
Nós mulheres nos preocupamos mais com o colégio, com os amigos para nossos filhos, com a casa, com médicos, hospitais e coisas relacionadas a “preparar o ninho”. Parece que é nossa função de mulher e mãe. Um lembrete para os maridos: ter uma  casa que  a mulher goste e se sinta segura e bem é  super importante!
Mulheres missionárias, sintam-se muita amadas no Senhor! O Senhor nos presenteia com detalhes importantes para nós. Quando chegamos aqui na Espanha orando por um apartamento, o Senhor nos trouxe a este onde moramos, e confirmou no meu coração nada mais entrarmos na cozinha; eu amo cozinhar e havia pedido uma cozinha grande, mas o detalhe maior foi a janela que dava para um jardim! Sempre havia desejado ver um jardim através da janela da cozinha, mas nunca havia dito a ninguém, e nunca havia me atrevido a pedir a Deus!

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