O povo dâw

Cácio Silva
Série Histórias missionárias

Exemplo vivo da manifestação da graça de Deus

De canoa atravessamos o caudaloso Rio Negro em direção à comunidade indígena Warua. Na outra margem, subimos uma pequena elevação e logo avistamos algumas casas muito simples, na sua maioria feitas de taipa (paredes de barro) e cobertas com palha. No interior, poucos utensílios, redes de dormir e o fogo onde preparam os alimentos. Ali vive o povo Dâw.
Pertencente à família etnolingüística chamada Maku, juntamente com os Hudpa, Yuhup, Nadeb e Kwyauí, os Dâw são classificados como um grupo minoritário, tendo apenas cerca de 120 pessoas. Vive no noroeste da Amazônia, na região do Alto Rio Negro, nas proximidades da pequena cidade de São Gabriel da Cachoeira. De estatura pequena, pele avermelhada e ligeiramente mais escura do que os demais indígenas da região, é um povo amável e receptivo.
Durante décadas viveram espalhados em São Gabriel e vizinhanças, em situação de subserviência, trabalhando quase como escravos, apresentando um altíssimo índice de alcoolismo. Desde a década de 1980, missionários da ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária) vêm atuando entre eles e foram então alcançados pelo evangelho. Hoje vivem na sua própria comunidade, reafirmaram sua cultura, tiveram a língua valorizada e a dignidade humana resgatada. A maioria fala o português, mas com muita limitação.

Anjo e Feioso!

Para eles nossos nomes são difíceis. O nome da Elisângela, minha esposa, quase impronunciável. Os jovens, bem humorados e brincalhões, resolveram então nos dar nomes na língua Dâw. Ficamos empolgados com a idéia, achando tudo fantástico. A Elisângela chamaram Ãaj e a mim chamaram Kaàs. A surpresa veio quando perguntei pelos significados. Ãaj significa “anjo” e Kaàs “feio”! Foi apenas uma forma de se divertirem, relacionando nossos nomes com palavras de pronúncia semelhante na sua própria língua.

Oração inesperada!

Visitando as famílias, alguns nos perguntaram se tínhamos filhos. Quando mencionamos que havíamos perdido três filhos, as mulheres ficaram comovidas. Debaixo de uma palhoça muito simples, tomaram a iniciativa de orar por minha esposa. Mais emocionante foi à noite, no final do culto, quando nos chamaram à frente, nos colocaram sentados em um banco, os líderes locais e as mulheres mais idosas estenderam sobre nós as suas mãos e toda a igreja orou fervorosamente para que o Senhor nos desse filhos. “Não deixa criança morrer na barriga, Jesus”, orava fervorosamente uma senhora na sua língua. Foi um dos momentos mais emocionantes da nossa caminhada e ficamos pensando que vale mesmo a pena investir em missões!
Em tribos pouco conhecidas, aldeias isoladas, locais de difícil acesso, algumas em florestas inóspitas, pessoas de língua complexa e cultura tão diferente da nossa, têm se rendido aos pés do Senhor e tido as vidas transformadas. E isso não apenas no além mar, mas também em solo brasileiro. É o Senhor da seara fazendo com que o Seu reino avance entre os povos da terra. Vale a pena investir em missões, pois a mesma é trabalho do próprio Deus.

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