Onde Cristo não fora anunciado

Cácio Silva

Alguns anos atrás, tivemos contato com uma comunidade indígena onde certamente Cristo não havia sido anunciado. A nossa pequena “voadeira” levava 800 litros de gasolina, uma mochila e nós como excesso de bagagem. Saímos de uma pequena cidade do interior do Amazonas pelo rio principal, entramos num rio secundário, depois noutro rio de terceira importância e, ao fim de três longos dias de viagem, adentramos um pequeno igarapé. Não demorou para avistarmos um indígena franzino e desconfiado, na sua pequena e rústica canoa de pesca. Desajeitado e inseguro, acenei-lhe com a mão ao que ele respondeu. Aproximamo-nos e tentamos nos comunicar, mas não lhe saía nenhuma palavra em português. Acompanhando-o por uma trilha, fomos até sua aldeia onde entramos numa grande palhoça. Com todos a nossa volta, tentamos nos comunicar, mas não havia nenhum falante do português. Como nós também não falávamos sua língua, ficamos ali menos de uma hora e seguimos viagem. Ali não havia nenhum templo, nenhum Bíblia, nenhuma cruz… nada que nos remetesse a Cristo. Também não havia escola, posto de saúde, qualquer tipo de mídia, meio de comunicação. Apenas as roupas surradas, poucas panelas e fações sinalizavam algum contato com a sociedade externa.

Os que “nada ouviram”

Aquela minúscula comunidade indígena, perdida na imensa Floresta Amazônica, representa bem os lugares “onde Cristo não fora anunciado” (Rm 15.20), lugares esses que abrigam aqueles que “nada ouviram” (Rm 10.14). Via de regra, eles não estão na esquina da rua nem na periferia da grande cidade. Estão sim nas regiões geograficamente menos acessíveis ou politicamente mais fechadas. Alguns em florestas, outros em desertos, muitos em ilhas e ilhotas do Pacífico, não poucos nos interiores de grandes países como Índia, China ou nos “istãos” da Ásia Central.
Paulo coloca como prioridade do seu ministério aqueles que “nada ouviram” e os lugares “onde Cristo não fora anunciado”. Devemos também priorizá-los em nossos corações, pois não investimos naquilo que não vemos nem conhecemos. Ninguém compra um carro sem verificá-lo, nem um imóvel sem informar-se sobre ele. Como, em geral, não vemos nem conhecemos aqueles que “nada ouviram”, só investiremos neles em oração, intercessão, envio, contribuição, se os colocarmos como prioridade.

Os que não compreenderam

Além daqueles que “nada ouviram”, tem aqueles que ouviram mas não compreenderam. Em Romanos 10 e 15, quando Paulo fala de “ouvir”, “pregar”, “anunciar”, refere-se a uma proclamação que envolve compreensão da mensagem. Não é raro encontrar grupos sociais apenas “pré-cristianizados”, que já ouviram algo do evangelho mas não de forma inteligível, relevante e aplicável. Não de forma compreensiva para seu mundo. Estes ampliam em dezenas de vezes o desafio dos que “nada ouviram”.

Os que resistiram

Há também aqueles que já ouviram e compreenderam, mas resistiram. Mais de 800 povos resistem há anos à mensagem do evangelho. Em alguns há presença missionária há mais de meio século sem surgir uma igreja. Os Maxakali, de Minas Gerais, por exemplo, tem presença missionária desde 1959, o Novo Testamento em sua língua, mas só recentemente temos notícias dos primeiros convertidos e ainda não organizados em igreja.

Os que não têm acesso

E não podemos nos esquecer daqueles que não têm acesso a uma igreja. Não poucos abertos ao evangelho, desejosos de transformação, mas que não encontram uma comunidade de crentes para se reunir. Nos interiores de vários estados do Brasil, encontram-se centenas de pequenas cidades ou povoados assim. De certa forma, são também lugares “onde Cristo não fora [de fato, da forma necessária ou de forma efetiva] anunciado”.
Ah, sim, e aquela aldeia indígena da Amazônia continua nessa classe. Alguém se dispõe a ir?

One thought on “Onde Cristo não fora anunciado

  1. estamos na amazõnia já há quatro anos com um povo meio branco meio indigena .
    um povo pré evangelizado ,e ñ nos sentimos felizes com isso ,parece que estamos patinando e ñ saimos do lugar,além do máis eles parecen ñ querer nada com o evangelho de CRISTO.
    ñ há mudança neles ,quando li essa carta me comovi e estou orando para que possamos tomar uma decisão difinitiva em ie onde Cristo não fora anuciado.
    oramos agora para que a igreja pela a qual fomos enviados nos conpreenda ,pois não queremos continuar asim pois sabemos aquém servimos ,por isso ler esse artigo nos animou a tomar decisões.

Deixe uma resposta