Desafios missionários | Coréia do Norte





Baixe o eBook

“Procure uma cruz”

icon_rogaiEle trabalhava como segurança em Pyongyang, capital da Coréia do Norte. Decepcionado com a corrupção e a indústria da propina, Negro, como é chamado pela reportagem especial da National Geographic de fevereiro de 2009, decide planejar sua fuga do país, com sua namorada, juntando dinheiro para pagar um intermediário que o auxiliaria a atravessar o Rio Tumen para chegar à China.

O desertor escapuliu cruzando o Tumen congelado à noite.
O desertor escapuliu cruzando o Tumen congelado à noite.

Após travessia árdua que lhe traria feridas permanentes, chegou à China onde, como é o destino de inúmeros refugiados norte coreanos, foi enganado pelo intermediário terrivelmente. Sua namorada foi vendida a um idoso viciado em sexo, e ele mesmo foi vendido a um gangster chinês para transportar drogas e dinheiro de um lado ao outro do rio Tumen. Negro nunca mais teve contato com sua namorada, mas conseguiu fugir novamente.

Se lembrou, finalmente, de um conselho que chegava aos ouvidos dos norte coreanos que desejavam fugir, na fronteira do país: “Procure uma cruz”.

Negro encontrou a cruz numa das muitas igrejas da cidade, e encontrou também muito mais do que abrigo seguro, encontrou a salvação em Jesus Cristo.

O jornalista que o entrevista relata: “A certa altura, durante a refeição, ele puxa uma pequena cruz de madeira debaixo da camisa, segurando o símbolo como se fosse um ser vivo. ‘Meu sonho’, diz ele , ‘é entrar num seminário na Coreia do Sul para depois voltar a minha aldeia natal e pregar o Evangelho.’ Lembro a ele de que será morto se for pego na Coreia do Norte portando uma Bíblia. Negro retruca: ‘Sigo a vontade de Deus’”.

Leia a reportagem completa aqui
Leia a reportagem completa aqui

Qual o tamanho do desafio?

Bandeira da Coréia do Norte
Bandeira da Coréia do Norte

Tendo mais de 24 milhões de pessoas não alcançadas pelo evangelho, sendo o número um entre os países que mais perseguem o evangelho no mundo, e dentro da chamada Janela 10/40, a Coréia do Norte hoje é, certamente, um dos países mais desafiadores para a obra missionária no nosso tempo.

Com 24,9 milhões de habitantes, sendo 60% de população urbana, este país do leste da Ásia possui um governo de Partido Único (Partido Trabalhista da Coréia) e um órgão supremo (Órgão Supremo do Povo) tendo como Chefe de Estado atual, Kim Jong Un. É regido por uma ideologia nativa chamada Juche, desenvolvida por Kim Il-Sung, avô do atual Chefe de Estado, adotada na nova constituição de 1972. É, oficialmente, uma república socialista.

Mapa da Coréia do Norte
Mapa da Coréia do Norte

Segundo o Joshua Project, dos 5 povos presentes no país, 2 são considerados povos não alcançados pelo evangelho, somando, no entanto, o total de 24.7 milhões de pessoas que não conhecem o evangelho.

Com apenas 1,5% de cristãos, sendo estes 1,0% de evangélicos, a Coréia do Norte possui 55,7% agnósticos, 15,6% ateus, 12,9% de novas religiões e 12,3% de crenças tradicionais.

No que diz respeito às Escrituras, embora haja no país mais de 20 dialetos, segundo a Aliança Global Wycliffe, a língua oficial coreana é lida pelos 100% de alfabetizados do país, segundo dados na Unesco de 2008. No entanto, embora a Bíblia esteja com tradução co
mpleta para este país, o maior problema é o
acesso às Escrituras, que veremos mais à frente.

Ore pela Coréia do Norte

24,7 milhões de pessoas não alcançadas pelo evangelho

* fonte: http://joshuaproject.net/people_groups/12795

rogai_coreia

Como tudo aconteceu?

Robert J. Thomas, missionário mártir na Coréia
Robert J. Thomas, missionário mártir na Coréia

Mas não foi sempre assim. Segundo a Aliança Global Wycliffe, na década de 40 havia mais de 300.00 cristãos na Coréia do Norte, tendo Pyongyang como o centro da atividade cristã na região.

Segundo o Portas Abertas, o cristianismo chegou à Coreia no século XVII, através de coreanos que foram ao Japão como prisioneiros de guerra, e retornaram ao seu país com o evangelho.

Podemos lembrar também da história de Robert J. Thomas, o missionário galês que, em 1866, levou Bíblias à península coreana e se tornou um dos primeiros mártires cristãos daquela terra, tendo bons frutos, como o do soldado Park, seu algoz, que se converteu ao evangelho ele e sua família; e do governador, que usou o papel da Bíblia de Robert para forrar a sua casa e, lendo seus escritos, também se converteu ao evangelho.

Victorious Fatherland Liberation War Museum, Pyongyang
Victorious Fatherland Liberation War Museum, Pyongyang

A atual configuração das Coréias tem início após o fim da II Guerra Mundial quando, em 1945, a península coreana sai do domínio japonês e é dividida em 2 zonas de ocupação. A região mais ao sul, com apoio americano capitalista, e a região ao norte, com apoio da União Soviética socialista. Em 1948, são criados dois Estados, sendo que ambos os lados reivindicavam todo o território.

De 1950 a 1953, as duas Coréias entram em uma guerra que deixou 5 milhões de mortos, sendo 2 milhões de civis. Este conflito é considerado o primeiro da Guerra Fria.

Ao fim da guerra, como sinal da trégua, é criada uma zona desmilitarizada entre as duas Coréias chamada de Paralelo 38.

A partir daí,  China e URSS ajudam na reconstrução da Coréia do Norte. Neste período, inicia-se também o culto ao Imperador Kim Il Sung.

Os grandes desafios da Coréia do Norte

Podemos destacar, a seguir, três grandes desafios sócio-políticos da Coréia do Norte.

Fome

A Coréia do Norte é um país que padece pela fome. De 1995 a 1996, grandes inundações destruíram parte do país. Em 1997, houve uma seca prolongada que destruiu as plantações de arroz. Nas áreas mais afetadas, a população comia raízes, gramíneas e cascas de árvores. Neste período, estima-se que 2,5 milhões de norte coreanos morreram de fome. A ONU estima que, em 2006, 8 milhões de habitantes estariam seriamente afetados pela fome.

Campos de concentração

Em 2014, o atual líder da Coréia assumiu que havia campos de concentração para “reformar cidadãos”. No entanto, relatórios da ONU com base em inúmeros depoimentos de fugitivos do regime apontam para 16 campos para prisioneiros políticos e ideológicos, onde se estima haver de 120 mil a 200 mil prisioneiros, sendo que destes, 50 a 70 mil são cristãos.

Crê-se que eles foram criados por Kim Il-Sung nos anos 60, expandido pelo filho Kim Jong Il e mantido pelo atual líder Kim Jong Un.

Nestes campos, depoimentos denunciam o uso de trabalho forçado, fome, torturas, desaparecimentos e execuções públicas. Diante dos testemunhos, a ONU declarou, em 2014, que neste país há crimes contra a humanidade sem igual no mundo contemporâneo.

vídeo de Testemunho da Portas Abertas

Testes nucleares

Kim Jong Un, atual Chefe de Estado da República Popular Democrática da Coréia
Kim Jong Un, atual Chefe de Estado da República Popular Democrática da Coréia

A ideia de que a Coréia do Norte anda fazendo testes nucleares com fins bélicos assusta o mundo. Em 2003, a Coréia retirou seu nome do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Em outubro de 2006 realizou seu primeiro teste, e em maio de 2009 realizou um segundo teste. Em 2013 realizou ainda um terceiro teste.

rogai_coreiadonorte

E os cristãos do país?

Com a criação do novo Regime, o governo comunista buscou apoio das igrejas existentes. Como não obteve, passou a persegui-los sistematicamente. Mais de meio milhão de cristãos (13% da população), neste período, fugiu ou foi assassinada.

A perseguição tem sido tão bem sucedida que o país conseguiu a proeza de figurar por 13 anos no primeiro lugar na lista elaborada pela Portas Abertas dos países que mais perseguem cristãos em todo o mundo.

Há no país, no entanto, igrejas reconhecidas oficialmente, mas que são controladas pelo governo para propaganda política. Por sua vez, há inúmeras igrejas não registradas e clandestinas que se reúnem em cavernas, entre outras formas.

Leia este testemunho de ida à Coréia AQUI


 Um culto cristão pode se resumir, por exemplo, a um encontro casual, com 2 ou 3 em lugar público, quando os cristãos oram e trocam encorajamento. Também, há cultos telefônicos com pastores da China, que duram mais ou menos 10 minutos.

A Bíblia é uma raridade, pois contrabandear Bíblias para dentro do país é punido com morte. No entanto, estrateǵias têm furado este bloqueio fazendo o envio por intermédio de balões. Os cristãos que as possuem, mantêm suas bíblias enterradas, embrulhadas em plásticos.

Cristãos que são pegos professando a sua fé, podem ser torturados para negá-la. Quando sobrevivem às torturas, são enviados a campos de concentração, onde trabalham por 18 horas por dia e se alimentam de algumas gramas de comida. Há, atualmente, entre 50 a 70 mil cristãos em campos de trabalhos forçados, onde sofrem com tortura, desaparecimento e até execução pública.

Ser um cristão na Coréia do Norte

Acesso à igreja Acesso às Escrituras Vivência da fé
Igrejas registradas para propaganda ideológica

Igrejas clandestinas

Distribuição de Bíblias punida com a morte;

Balões vindos da China tem levado Bíblias ao país

Cultos em cavernas, encontros casuais, por telefone;

Escondem suas Bíblias enterradas com plásticos

Ser pego professando a fé leva à tortura e a campos de concentração, podendo resultar em morte

Um fato impressionante oferecido pela Portas Abertas: primeiro líder da nação norte coreana, Kim Il Sung, veio de uma família cristã devota, antes de toda a revolução!

Assista à este impactante documentário

O ministério Operation World nos oferece algum encorajamento mostrando que “o acesso (ao país) é mais comum do que comumente percebido”, apontando que há abertura para empresários chineses, o que pode ser uma estratégia para a entrada do Evangelho. Também, nos mostra que há trabalhos de ajuda e desenvolvimento atuando no país por ONGs estrangeiras, além de rádios evangélicas da Coréia do Sul que tem chegado ao país, embora com restrições.

Atuais estratégias viáveis para a evangelização da Coréia do Norte*

Entrada de empresários cristãos Trabalhos humanitários com ONGs Programas de rádio evangélicos vindos da Coréia do Sul
* fonte: Operation World: http://www.operationworld.org/country/korn/owtext.html

Ministérios

Conheça estes outros ministérios que desenvolvem trabalhos na área de mobilização e ajuda para a Coréia do Norte, suprindo com ainda mais informações.

>> Portas Abertas

>> Contribua para a Coréia

>> Projeto Abraão

Livros

clique na imagem para comprar
clique na imagem para comprar

O livro Fuga da Coréia do Norte foi escrito por com base no relato real de um homem chamado Kim, que reconta sua vivência na Coreia do Norte, China e em Chosun.

Johan Companjen, presidente da Open Doors International, diz: “Temos ouvido falar da difícil situação da Igreja na Coreia do Norte por muitos anos. É arriscado entrar em contato com ela. Por isso sou grato a Deus e ao Paul Estabrooks por esse livro especial. Minha oração é que ele encoraje seus leitores a “se lembrar deles [os norte-coreanos] em suas orações” (Hb 13.3)”.

Autor: Paul Estabrooks

Editora: Missão Portas Abertas

Creative Commons License
Desafios missionários | Coréia do Norte by moravios is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 4.0 International

Deixe uma resposta