Os profissionais em missões – experiência dirigida

(Experiência dirigida por D. César e Philip Greenwood)

A maioria dos povos menos alcançados moram na parte do mundo conhecido como a Janela 10/40, que inclui a maior parte do Norte da África, do Oriente Médio e da Ásia; onde as religiões de Islamismo, Budismo e Hinduísmo predominam. Além da sua necessidade espiritual, os povos dessas regiões estão entre os mais pobres e necessitados, materialmente. Nas palavras do pesquisador evangélico, Patrick Johnson, “… mais de 90% dos mais pobres e excluídos, as crianças que são mais maltratadas e as menos alfabetizadas, vivem na Janela”. Conseqüentemente, qualquer apresentação do Evangelho, aos povos dessas regiões, precisa levar em conta sua realidade política, econômica e religiosa. Para atingir o ser humano em todas as dimensões da sua vida, tanto a espiritual como a material, a missão precisa ser feita integralmente, ou seja o que é preciso é Missão Integral.

Os eventos históricos mais notáveis dos últimos tempos, como a guerra no Afeganistão e no Iraque e a campanha contra o terrorismo e radicalismo islâmico, têm acontecido nessas regiões. Esses eventos aumentaram a resistência dos povos dessas regiões e dos seus governos contra a presença de estrangeiros; especialmente os que vêm dos EUA e Europa e especialmente missionários cristãos. À luz dos mesmos, os povos destas regiões precisam ver novos modelos do que significa ser um cristão. Eles necessitam, urgentemente, de testemunhas cristãs verdadeiras. Tais testemunhas teriam muito mais credibilidade se viessem de países cristãos que não têm a mesma associação histórica e política de conflitos que os países do ocidente têm.

A situação religiosa, política e econômica dos povos menos alcançados criou uma resistência ao Cristianismo que complica em muito, e até em alguns casos impossibilita, o trabalho de missionários cristãos tradicionais. No entanto, o profissional em missão, por ser identificado com seu trabalho secular, e não com um trabalho religioso, descobre uma abertura para ser uma testemunha cristã que, a longo prazo, poderia reduzir essa resistência e oferecer a oportunidade para os menos alcançados conhecerem o seu exemplo cristão e a sua mensagem da Salvação em Jesus Cristo.

As regiões do mundo que historicamente mais têm enviado missionários transculturais estão se tornando cada vez mais pluralistas, céticas e intolerantes à fé cristã e às missões cristãs. Nessas regiões, que incluem os Estados Unidos e a Europa, a Igreja enfrenta cada vez mais resistência, quanto a missões transculturais, do lado de fora da Igreja e cada vez mais indiferença do lado de dentro. Em compensação, nos últimos tempos, a força missionária dos países do mundo dos dois Terços tem aumentado muito, embora ela encare um desafio muito grande de escassez de recursos financeiros que tem limitado o seu impacto. Estratégias novas têm sido procuradas e uma que oferece uma solução a longo prazo é o ministério dos profissionais em missão, que visa o envio de profissionais para regiões menos alcançadas, para exercer sua profissão ao serviço do povo e para ser testemunhas cristãs por meio de atitude, caráter e estilo de vida simples.

Esse ministério tem suas raízes em personagens da Bíblia, como Daniel e Neemias. Ele sempre fazia parte da história das missões, mas mais recentemente cresceu no nível global, como resposta ao desafio do mundo dos menos alcançados.

Esse crescimento, também, tem muito a ver com uma mudança de paradigma para a Igreja,que redescobriu a importância da teologia do sacerdócio de todos os santos, criando condições favoráveis para a adoção desse ministério.

A missão não é considerada mais como a tarefa de poucos especialistas, mas sim da Igreja toda. A Igreja está começando a dar mais ênfase ao ministério de todos os santos e a importância de equipar todos para se envolverem na missão. Em tal ambiente, percebemos Deus chamando um número crescente de leigos para se dedicar ao crescimento da Sua Igreja.

O ministério dos profissionais em missão oferece uma forma de responder apropriadamente, pois ele encoraja profissionais cristãos a se disporem para ir às regiões do mundo onde vivem os povos mais pobres, oferecendo-lhes suas habilidades e experiência profissional para a transformação de sua realidade econômica.

O motivo principal, que foi apresentado até este momento, para preparar e enviar profissionais cristãos brasileiros para fazer missão integral entre os povos menos alcançados, foi a necessidade de levantar uma força missionária alternativa, capaz de superar os desafios do mundo dos menos alcançados, hoje. Todavia, existem outros motivos pelos quais profissionais brasileiros, preparados como fazedores-de-tendas (1), deveriam formar uma parte importante dessa força.

Primeiro, eles e elas não têm a mesma associação, na mente dos povos menos alcançados, com a política de exploração e a consequente história de conflitos, que profissionais do norte da América ou de algumas partes do continente europeu têm. Segundo, a experiência sugere que os latinos em geral e os brasileiros em particular, adaptam-se bem na cultura árabe e asiática, que dominam as regiões do mundo onde moram os povos menos alcançados. A cordialidade, o calor humano e a importância da família são características latinas muito atraentes nestas culturas. Terceiro, em muitos casos, profissionais brasileiros não têm o mesmo padrão econômico alto no seu país de origem, comparados aos profissionais oriundos dos EUA ou da Europa e consequentemente conseguem assumir um estilo de vida mais simples e mais facilmente.

O mundo dos menos alcançados espera os profissionais cristãos do Brasil que farão uma contribuição importante ao desenvolvimento econômico, social e espiritual do mesmo. Deus está chamando cada vez mais profissionais brasileiros, testemunhas cristãs, para que levem o Evangelho até esses povos, que carecem de ouvir o Evangelho e experimentar sua ação transformadora. Somente quando a Igreja Evangélica Brasileira abraçar todas as estratégias disponíveis, especialmente aquelas em que ela tem uma contribuição diferenciada, como o ministério dos profissionais em missão, é que ela alcançará o seu potencial pleno como força mundial na Missão Integral.

Baseado no livro Fazedores de Tendas Fazedores de Discípulos, por Philip J Greenwood (Ed Descoberta, 2005).

Retirado de Ultimato

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(1) Um fazedor-de-tendas é um cristão que, por meio da sua profissão, mora e trabalha num contexto carente
de testemunho cristão com a intenção de ser uma testemunha cristã.

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