Qualquer coisa, menos ir para uma aldeia indígena!

Fábio Ribas
Série Dias Índios

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“Qualquer coisa, menos ir para uma aldeia indígena”! – dizia enfaticamente minha esposa. Aguardávamos, portanto, a direção de Deus para qualquer lugar no mundo (menos trabalhar em aldeia), enquanto isso pastoreávamos uma congregação de famílias muito amorosas num bairro de Brasília. Sonhamos com muitos lugares, mas nada se confirmava. Contudo, numa manhã de fevereiro de 2006, uma missionária da missão ALEM me encontrou e já foi logo me dizendo: “Você acredita que há anos estamos orando por essa região para que as portas se abrissem e agora que os próprios indígenas estão pedindo professor para lá, não temos ninguém para enviar?!”.

Ninguém!? Por que não nós? Nós?! Precisavam de professores, então qual seria a nossa desculpa para não ir? O Pastor Zé Carlos da missão ALEM vem uma noite nos visitar no trabalho da congregação e faz o desafio: “Por que você não vai lá conhecer a região? A cidade base é linda e há uma família que poderá recebê-los”. Assim, fomos conhecer a cidade em julho de 2006.

E o povo específico? Andreas, Isaac e o próprio Zé Carlos (todos da Missão ALEM) nos entregaram um mapa feito à mão ali na hora pelo Andreas com o nome dos 14 povos existentes e espalhados por mais de 30 aldeias na região. “Orem”, disseram eles. Levei o mapa para casa e oramos. Acreditem, era a primeira vez na minha vida que eu olhava aquela região. Até aquele momento, sequer sabia onde ficava aquele lugar… No dia seguinte, dentre aqueles nomes que estavam naquela folha de papel, disse qual pensávamos ser a vontade de Deus. Então, Andreas abriu um sorriso espantado na hora e seus olhos se enchem de lágrimas: o povo do qual estávamos falando era o mesmo que um dia ele também tentara trabalhar, mas não pudera ficar na região.

Bem, agora só faltava ir à aldeia conhecer a realidade da vida deles. Levantamos os recursos necessários, nos preparamos e, em janeiro de 2007, estávamos tendo o primeiro contato com a aldeia. Havíamos falado com poucas pessoas na Igreja sobre a nossa ida à aldeia. Precisávamos conhecer a realidade primeiro, para confirmar se seria aquilo mesmo. Então, às vésperas de entrarmos na área, eu estava muito apreensivo. Estava levando minha esposa e minhas duas filhas, que na época tinham 4 e 2 anos de idade, para uma viagem a um lugar totalmente desconhecido. Da cidade, a viagem seria 3 horas em estrada de terra, caso não chovesse. Depois iríamos de voadeira (barco com motor) até a aldeia. Mais duas horas, caso não chovesse. Bem, eu estava para meter minha família nessa “enrascada” e sabia que não havia ninguém orando por nós. A publicação só aconteceria caso essa viagem fosse positiva. Este havia sido o plano meu e da Lu.

Estávamos sozinhos, apreensivos, reticentes, era algo totalmente novo para uma família “urbanóide” como a nossa. Então, às vésperas de nossa saída, Deus interveio mais uma vez. Estávamos numa piscina, num clube lotado de gente, quando chegou perto de nós o Rev. Anderson Rios, que conhecíamos da época do meu Seminário. Contamos toda a situação delicada para ele e dissemos que, por ser um primeiro contato, uma sondagem, não havíamos falado nada para quase ninguém. Compartilhamos com ele das preocupações com as nossas meninas, da responsabilidade que caía sobre nossos ombros, etc. De repente, ali mesmo, no meio daquele tanto de gente, o clube cheio, estávamos na piscina, Rev. Anderson Rios ergueu os braços e orou em voz alta nos abençoando e intercedendo pela viagem. Era a resposta que precisávamos da parte de Deus: não estávamos sozinhos, o Deus Poderoso estava conosco. Acalmamos os nossos corações e, então, seguimos para uma viagem que até hoje não cessou mais… Ah! Bem, sobre o fato de “qualquer coisa, menos uma aldeia”, descobrimos na pele o que significa aquele dito popular: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”! Toda glória ao Deus que chama!

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